Quando a minha filha Bianca, aos 17 anos, toca perfeito na bola com a chapa do pé canhoto, eu olho feliz para o Mestre Bokkão. Não estou só olhando, jogo também futevôlei aos 58 anos.
No início desse mês, comecei a desenferrujar décadas de futevôlei com treinos no CT Moska na praia do Leblon, em frente ao quiosque La Carioca.
Em companhia da Bianca, é uma sensação feliz de renovação no esporte. À vezes, apenas pai e filha na aula do sabido, exigente e divertido Mestre. Ontem, fomos recheados com a visita dos amigos da Bi, a Laura e o Chico.
Foram risadas extensas, fruto de jogadas e falas da boa malandragem de praia.
O futevôlei surgiu na praia devido a uma proibição. Isso mesmo, na tentativa de burlar uma lei que proibia jogar esportes nas praias cariocas sem rede ou espaço delimitado.
Na verdade, a proibição estava direcionada ao jogo "altinha" de controle de bola entre amigos perto do mar (linha de passe).
O ex-jogador Octavio Moraes foi responsável por introduzir o esporte nas areias de Copacabana em 1962. O Tatá, atacante do glorioso Botafogo, inventou o jogo nas quadras de vôlei perto do calçadão para praticar sua arte de controle de bola não só com os pés, mas com todo o corpo (menos com as mãos). Expressão corporal.
No final da década de 80, com a popularidade do esporte devido à presença de jogadores profissionais de futebol, como o Jairzinho furacão da Copa do Mundo de 1970, eu comecei a praticar futevôlei nas areias de Copa. Joguei em dupla com o próprio Jairzinho, que dizia:
- Vamos Digão, vamos, tenho um nome a zelar.
- Calma Furacão vou caprichar, vamos ganhar.
Perdemos, mas aprendi muito com o ídolo do meu time de coração.
Também vi Maradona jogar nas areias de Copa. O público cercou a quadra pra assistir o argentino baixinho, que era um talento absurdo no controle de bola. Pegava todos os saques com a cabeça, o que exigia maior habilidade. À época, a maioria pegava com o peito.
Voltar a jogar futevôlei é uma forma de treinamento físico, uma forma de renovar a minha relação com esse esporte. As fases da vida passam, precisamos encontrar outros caminhos e os jovens nos mostram, nos inspiram. Sejam filhos, amigos ou professores.
Acima de tudo, o que vale mesmo é a diversão com Bianca, Mestre Bokkão, Laura e Chico. Depois, um mergulho no mar.
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#riodejaneiro